Ariana Grande é a capa da nova edição da revista The Fader
02.06.18






Hoje (30), foram divulgadas as fotos e a entrevista concedida por Ariana Grande para a revista The Fader. A cantora falou sobre o seu atual single de trabalho, “No Tears Left To Cry“, e também confirmou o lançamento de seu novo álbum — intitulado de “Sweetener“, para agosto.

Confira abaixo as fotos de Ariana para a edição da revista e também a entrevista completa traduzida:

    

Ariana Grande encontrou um terreno estável quando não tinha um. Agora ela está fazendo música que sempre sonhou em fazer.

Eu realmente não queria começar falando sobre o rabo de cavalo de Ariana, mas eu não consigo. Hoje, seu cabelo prateado foi construído com muitas extensões por seu Deus grego dos cabeleireiros, Chris Appleton; enquanto Ariana se movimenta pelo estúdio fotográfico usando chinelos que desenhou para Rebook, ele balança atrás dela como um Pokémon leal. Tem um detalhe trançado na frente que se estende até atrás onde está preso, com algumas partes coloridas com um agradável tom de lilás. Quando eu a vi pela primeira vez do outro lado da sala — com sua mãe, Joan, que está em completo modo de mãe e empresária de Calabasas — Eu soltei um longo “siiiiiim” sob minha respiração.

A cantora de 24 anos tem usado variações do penteado alto e apertado desde 2013 e raramente aparece em público sem ele. Em 2014, depois de algumas pessoas na internet implorarem por um novo penteado, ela explicou em uma nota no Facebook que era o único jeito que ela se sentia confortável usando seu cabelo: anos descolorindo e pintando seu cabelo de vermelho, quando ela era adolescente é atuava na Nickelodeon, estragaram severamente seu cabelo.

Na arte de capa de “No Tears Left To Cry”, o primeiro single de Sweetener, seu quarto álbum, com lançamento para julho, ela provavelmente deixou seus fãs carecas ao ser fotografada com um rabo de cavalo que era 45 centímetros mais baixo que o normal. Como um tweet que viralizou disse: “Ariana baixou seu rabo de cavalo, vocês estão acabadas vadias.”
Desde que lançou seu primeiro single aos 19, Ariana conseguiu desafiar a convenção das estrelas do pop de reinventar seu look para cada era musical. No fim da nossa entrevista, eu perguntei se ela considerava ir por um caminho totalmente diferente no ciclo desse álbum, tipo se ela alguma vez já pensou em raspar sua cabeça. Depois do ano que ela teve, ela poderia certamente usar a carta da reinvenção.

Ela enrola o cabelo em sua mão, dá uma penteada e agita ele suavemente. “O rabo de cavalo também passou por uma evolução, e eu estou orgulhosa disso,” ela diz com uma colherada de autoconsciência. “Antigo rabo de cavalo? Eu não sei se ele é aquela garota. Mas o novo rabo de cavalo? Eu gosto dele. Quer dizer, é como uma angel da Victoria Secrets sem as asas de anjo. Continua sendo ela sem elas, mas quando ela está usando é tipo, Ahh, eu entendi, ela é uma angel”.

Durante a sessão de fotos para esta história, ela foi exatamente como a Ariana que eu tenho visto em shows e sigo nas redes sociais: absurdamente calorosa, uma criança do teatro o tempo todo. Quando tivemos problemas com o som no set, ela cantou Christmas Carols para o deleite de todos. Todos os dias, ela manda para seus amigos mensagens de voz de bom dia em um tom caricato e demoníaco. Ela é o tipo de pessoa que descobre que sua música é número um em 80 países e as únicas palavras que compartilha com seus seguidores é um emoji com “Caramba, muito obrigada, como assim??????”

No fim do dia, sua equipe coordenou sua saída. Uma Range Rover vai até o estúdio e os seguranças a colocam pra dentro como se estivessem escoltando um chefe de estado. Parece que esse será o novo normal dela para o resto da vida.

Em maio de 2018, Ariana performou para um show lotado em Manchester, pausa na sua turnê Dangerous Woman, Reino Unido, que originalmente foi planejada para levá-la a seis continentes em oito meses. Pouco depois que o show acabou, uma bomba explodiu nos arredores da arena. Seus shows atraem uma platéia bem jovem, então a área estava cheia de pais esperando para buscar seus filhos. A explosão matou 23 pessoas e feriu mais de 500. Foi o ataque terrorista que mais matou pessoas no Reino Unido em mais de uma década.

Ariana e sua equipe ainda estavam nos bastidores quando isso aconteceu e nenhum deles saiu ferido. Horas depois que eles foram levados para longe da arena em segurança, ela tweetou, “devastada. do fundo do meu coração, eu sinto muito muito mesmo. eu não tenho palavras.”

Mesmo quase um ano depois, ela ainda não consegue falar muito sobre isso. Ela não tem sentado para dar uma entrevista em meses, é basicamente cortou toda a comunicação com o mundo lá fora. Na primeira menção á palavra Manchester em nossa conversa, seus olhos começaram a encher d’água. Como ela explica pra mim, “Eu achei que com o tempo, e terapia, e escrevendo, e colocando meu coração pra fora, e falando com meus amigos e família seria mais fácil de falar sobre, mas eu ainda acho difícil de encontrar as palavras. Quando você está tão conectado a algo tão trágico e terrível e o oposto do que música e shows devem ser, isso meio que deixa você sem chão.”

Em algumas horas depois do ataque, Lloyd’s of London, o banco que fez o seguro de sua turnê, ligou para o empresário dela, Scooter Braun, e disse que eles cobririam todo o pagamento de Ariana pelo resto das datas. Porque ela teria evitado todo o custo de realizar os shows, ela realmente perderia mais se cancelasse. Mas como Scooter me falou depois, “Não era sobre dinheiro pra ela. Era sobre mostrar aos seus fãs e ao mundo que ela é quem diz ser e que ela está forte por eles.”

Eles suspenderam a tour por sete datas, mas Ariana queria voltar para a estrada. Scooter sugeriu que tocassem em Manchester novamente, e eles rapidamente organizaram o que veio a ser o One Love Manchester, um concerto beneficente que arrecadou mais de 23 milhões de dólares para as vítimas e suas famílias. Em 3 de junho, um dia depois do evento ser confirmado, um ataque terrorista aconteceu em Londres: um motorista de uma van na London Bridgestone dirigiu em direção a uma multidão e matou oito pessoas. Ariana e outros artistas — Chris Martin, Katy Perry, e Marcus Mumford — todos concordaram que precisavam fazer este show mais do que nunca.

No fim do show, depois que todos os artistas se juntaram para cantar “One Last Time” de Ariana, ela lentamente caminhou para frente do palco sozinha. Ela começou a cantar “Over The Rainbow” de O Mágico de Oz, apenas com um piano ao fundo. Ela tropeçou no refrão da primeira vez, mas voltou, repetindo-o com uma convicção tão impressionante que era impossível não ouvir a música — uma que você ouviu por toda sua vida — de uma maneira completamente diferente. Nas filmagens deste momento, todas as pessoas estão chorando. Ariana terminou a música em meio a lágrimas e era possível ouví-la chorando no microfone, a primeira vez em que ela quebrou a casca durante toda a noite. Ela deu um jeito de cantar o refrão novamente.

Quando a pergunto porque ela escolheu essa música para fechar o show, ela começa a chorar novamente. A música era a favorita de seu avô, ela diz, e ela cantava para ele em casa quando ela era uma criança com uma voz potente e fora do normal. “Ele sempre me pedia para cantar nos meus shows. Ele sempre dizia, ‘Você sabe como você deveria acabar o show? “Over The Rainbow.”’ E eu nunca havia feito até esse momento. Quando eu estava me aprontando para fazer isso, eu estava pensando nele e eu senti sua presença de uma maneira muito forte na minha volta. Ele era a pessoa que eu era mais próxima na minha vida. Ele era tudo que eu queria ser: como um homem de negócios, um cavalheiro, como um amigo, tudo. Ele era perfeito pra mim.”

Em dias depois do ataque em Manchester, quando ela estava se recuperando na casa onde cresceu em Boca Raton, Flórida, ele estava lá também. “Eu achei uma pilha de bloquinhos de papel perto da minha cama, em um saquinho com fecho, e ele tinha escrito nele, ‘Para Ariana.’ Eu não me lembrava de ter visto isso antes e não estava na minha cama.” Ela diz que ela terminou o show com aquela música porque era pra ser: “Ele tocou no meu ombro e me disse para fazer isso.”

Ela disse que as lágrimas vieram naquele momento porque foi quando ela realmente sentiu que ela e o público haviam se tornado um só. “O fato de que todas essas pessoas foram capazes de tornar algo que representava o mais hediondo da humanidade em algo bonito e unificador e com amor é apenas louco.”

A turnê continuou logo depois do One Love Manchester, e Ariana passou junho, julho e agosto em uma jornada pela Europa, América Latina, e Ásia. “Nós empurramos isto é quando chegamos em casa, assim que começamos a diminuir o ritmo, todo mundo começou a sentir,” ela diz. “Foi quando o processo realmente começou. Nós estávamos cheios de adrenalina e estávamos sendo fortes uns com os outros. Quando chegamos em casa, nós ficamos tipo, ‘UAU. Agora o trabalho de verdade começa,’ e eu estou chorando.”

Mesmo antes disso, Ariana sabia que era hora de evoluir. Em 2016, ela se encontrou com Pharrell e disse a ele: “Me leve para algo completamente novo — apenas deixe fluir.” A dupla fez “um milhão” de músicas juntos, e ela diz que gostou da liberdade de criar sem uma gravadora limitando datas. Mais importante, que Ariana lembra, ele a colocou sentada, apontou para seu coração, e disse a ela que era hora de mostrar a seus fãs o que realmente acontecia ali. Por e-mail, ele explicou que seu papel como produtor dela era “parte ouvinte, parte terapeuta, parte estenógrafo.”

Ariana estava cansada de estruturas musicais diretas e queria muitas mudanças, o que é uma das habilidades particulares de Pharrel. Pegue, por exemplo, “The Light Is Coming”, um novo tipo de faixa — um choro longe de suas músicas fáceis de digerir do passado. Esse tipo de experimento criativo deve ser um pouco mais arriscado, mas como Pharrel me disse, os acontecimentos de Manchester deu um grande reinício ast expectativas do projeto. Metade das músicas que foram a lista final do álbum são produzidas por ele.

“Em tudo honestamente, eu sinto que tipo [depois de Manchester] foi quando pessoas diferentes da gravadora realmente começaram a entender o que estávamos tentando fazer,” Pharrell disse. “É uma pena que tenha sido esta situação o que nos deu o contexto, mas eles foram capazes de realmente vê-lo. E essa é a verdade.”

“The Light” foi feita com uma parceria em mente, e Ariana fez uma audição com outro rappers para tomar este lugar — “Eu não quero parecer uma pessoa terrível, mas eu não estava amando nenhum deles” — antes de chamar sua amiga Nicki Minaj. Ela enviou a música por mensagem para Nicki e perguntou se ela estaria interessada em colaborar. Nas palavras de Ariana, Nicki ficou tipo, “pu-ta-mer-da-eu-amei-isso,” e a ligou em uma manhã chuvosa às 5 da manhã para ouvir seu verão. “Eu fui para o estúdio de chinelos e pijama e ela arrasou,” ela diz. “É isso que Nicki Minaj faz, ela eleva o nível das músicas. Se você vai colocar um rapper em uma música, ele tem que realmente realmente realmente estar ali por um motivo, e ela mostra isso todas as vezes.”

Em “Borderline”, outra produção de Pharrell, Missy Elliott faz uma participação especial, uma experiência que Ariana sonhava em ter desde muito pequena, dançando em seu quarto com as músicas de Missy, e estudando seus videoclipes dirigidos por Dave Meyers, que acabou dirigindo o clipe de “No Tears Left To Cry.”

A outra metade do álbum foi produzida pelo mais confiável e científico criador de hits do pop, Max Martin. Isso é muito do que Ariana produziu depois de Manchester, e ela disse que ela teve bloqueio em sua escrita dessa vez. É um pouco clichê dizer que o álbum novo de um artista é o seu mais pessoal até então, mas para Ariana é realmente verdade.
Em “Get Well Soon,” ela traça seu caminho por entre as esquinas de um ataque de ansiedade. “Garota o que tem de errado com você? / Volte aqui.” Eventualmente, ela canta para ela mesma para ficar estável novamente. Ela escreveu a letra logo depois de um ataque de ansiedade, e suas palavras têm como fundo piano, alguns sinos, e centenas de repetições de sua linda voz. “O que me faz sentir ok com me abrir e finalmente me permitir ser vulnerável né que eu sei que meus fãs sente o mesmo,” ela diz. “Eu tenho falado com eles sobre isso. Eu tenho fãs que se tornaram meus amigos. Eu tenho seus números, e nós conversamos todo o tempo. Eu toquei as músicas para eles antes de tocar para minha gravadora. Eles ficaram tipo, ‘obrigada’, quando ouviram essa. Foi muito assustador fazer isto, mas foi tipo, ‘Eu entendo isso, eu sinto isso também’…”

Esses sinais de riscos criativos são a parte mais pensativa da sua carreira. “Eu sempre fui tipo cantando, 5-6-7-8, dança sexy…. coisa sexy. Mas agora é tipo, ‘Ok… é um hino — mas é uma mensagem.é um hino mas também tem partes da minha alma nisso. Aí vamos nós. Além disso, eu chorei 10 milhões de vezes na sessão escrevendo isso pra vocês. Aqui está meu coração sangrando, e aqui está uma boa batida por trás disso.’ Definitivamente temos um pouco de choro-na-pista-de-dança nessa.” Ela faz um balanço com a deliciosa “No Tears,” o hino que introduziu as pessoas a essa nova era. Em “God Is A Woman,” um coro está por trás junto com uma variedade que poderia provavelmente ser excomungado por dançar da maneira certa.

Algumas semanas depois da nossa entrevista, Ariana postou em sua história do Instagram que ela havia decidido adicionar cinco músicas ao álbum, finalizando a lista com 15 músicas. Nós ligamos para falar sobre a mudança criativa de última hora, e Ariana parece mais feliz e enérgica do que antes.

Depois de recentemente atingir um período emocional, ela revistou algumas das músicas que ela havia decidido cortar inicialmente. As adições são mais três músicas das sessões com Pharrell, uma com Max, e uma com seu antigo e próximo colaborador e produtor Tommy Brown.
Ela primeiro se preocupou com que essas músicas fossem “muito emocionalmente honestas” e poderia fazer seus fãs ficarem preocupados, mas depois de um dos mesmos sobre os quais escreveu se tornar real, ela deu às músicas uma segunda chance. “Tem partes da minha vida que eles adorariam saber,” ela diz, “e momentos difíceis que tenho passado por um ano e meio passados merecem ser compartilhados porque eles me amam muito e se importam. Eu não quero esconder nenhuma dor deles porque eu consigo entender as dores deles. Porque não estar nisso juntos?”

Ela me explica que ela percebeu que ela continuava colocando barreiras emocionais. “Eu acho que eu estava tipo em 0 e fingindo estar em 10 por mais ou menos 10 meses,” ela diz. “Levou um tempo para eu estar, eu mereço estar em 10, e foda-se, e vamos, e agora eu me sinto tão livre e feliz pra caralho. Alcançar esse sentimento me fez olhar para essas músicas e ficar tipo O que? O que?! Eu não ia colocar isso no álbum? Ah meu deus, isso é um hino! Que porra eu tava pensando? O que eu tinha na minha própria cabeça que eu pensei em tirar isso do álbum.”

Recuperação é um processo real, e felizmente Ariana tomou um tempo para ela mesma. Ultimamente, ela tem mergulhado de cabeça e seu álbum aproveitando uma vida serena em L.A. com seus sete cachorros. Ela diz que tem assistindo intensamente muito Grey’s Anatomy, finalizando cinco temporadas — são mais de 100 horas — apenas no mês passado. Ela jura que é totalmente a Christina mas também compartilha do lado emocional de Izzie; se há alguma seis melhor sobre um grupo de amigos trabalhando em um processo aparentemente interminável de tristeza, eu não consigo pensar em nenhum.
Ela diz que terapia tem ajudado ela — na verdade ela tem feito por toda sua vida e sempre foi uma fã. “Tem me ajudado alisar com tanta coisa. Eu acho que é ótimo para todos. Especialmente no que diz respeito a isso. Terapia é o melhor. Realmente é.”

É também a primeira vez que ela tem vivido em sua casa desde talvez sempre, e ela tem saboreado isso. “Eu sinto como se do nada eu acordasse e eu sou adulta. É muito louco pra mim,” ela diz desacreditada e ela gosta de acordar às 6:30 da manhã e observar sua casa ser envolvida pela manhã de L.A., uma “deliciosa nuvem de sonhos,” ela diz.

“Eu nunca estive tão vulnerável para eu mesma. Eu sinto como se eu tivesse me formado (como pessoa) quase.”
No ano anterior a nossa entrevista, as únicas aparições públicas reais de Ariana foram para causas políticas. Em novembro ela apareceu como a pessoa mais nova a performar no A Concert for Charlottesville, um musical beneficente em Virgínia que foi organizado por Dave Matthews depois que Heather Heyer foi assassinada por um racista quando Neonazistas atacaram a cidade. Em março, ela foi uma das atrações principais na March for Our Lives em Washington D.C., a demonstração de estudantes contra a violência das armas após um tiroteio em passa na escola Marjory Stoneman Douglas em Parkland, Florida. “Nós estamos em uma difícil e as pessoas vêm respondendo com aceitação, amor, inclusão, paixão,” ela diz. “Essa geração, eles estão levantando e eles não vão aceitar não como resposta.”

Quando as crianças de Parkland vieram a Los Angeles, Scooter arrumou um jeito de elas a conhecerem antes que o protesto começasse. Eles sentaram no chão de sua sala em um círculo e conversaram sobre teatro, compartilharam experiências, e ela falou sobre Manchester, especificamente sobre o que acontece quando passa um tempo de um evento tráfico e tudo se acalma. Eles viraram amigos instantaneamente, se abraçaram e choraram muito.

“Isso resume quem ela é,” Scooter me disse. “É quando você vê o melhor dela: quando as câmeras não estão ligadas. Porque muitas pessoas sabem como fingir para as câmeras. Ela é quem ela é o tempo todo.

Uma coisa estranha de se pensar é que Ariana Grande quase não virou uma cantora — ela não foi sempre vista como uma pessoa facilmente relacionamento com talentos super humanos. Na Nickelodeon, ela fazia o papel da sempre-óbvia Cat Valentine na escola de arte da comédia Victorious, que tinha como estrela Victoria Justice. Eventualmente, o papel se tornou um novo spin-off chamado Sam&Cat, que teve uma primeira temporada bem sucedida mas acabou após 36 episódios. Ela gravou algumas músicas chiclete para séries e fez aparições especiais em alguns projetos da Nick, mas nada realmente fez mais sucesso desde sua aparição mais jovem. Sony havia passado ela, e a Nickelodeon não pensava nela como algo mais do que um personagem secundário. Então ela foi atrás da música do seu próprio jeito no YouTube, com seu username bem anos 2000 “osnapitzari.”

Em um vídeo que ela postou em 2007, quando ela tinha 14 anos, ela está parada na frente de uma máquina de pedal e usa diferentes gravações de sua voz para criar uma faixa com várias camadas dela mesma como cada instrumento e como a vocalista. É super fofo e psicoticamente impressionante. Alguns anos depois, em 2012 — com seu antigo rabo de cavalo — ela gravou um concerto de “Die In Your Arms” de Justin Bieber. Isso chamou a atenção do empresário de Bieber, Scooter Braun, que assinou contrato com ela logo depois. Sua estreia em 2013, Yours Truly, um álbum pop R&B, majoritariamente produzido por Babyface, estreou em primeiro lugar, assim como o seguinte, My Everything, o que tornou Ariana uma figura fica no top 10 da Billboard.

O alcance de quatro oitavas de Ariana, que é mais forte do que a da maioria das cantoras de pop atuais, faz dela uma estrela. Ela tem uma voz especialmente leve, o que faz suas notas altas soarem como canhões de glitter sendo jogados por cima de arco-íris, especialmente quando sua voz está sobreposta nas faixas de uma música umas sobre as outras. Em uma sequência de tweets agora-icônica de 2016, ficou determinado de ela de fato “Tem O Alcance.”

Para um exemplo de sua habilidade, considere o single muito amado mas de baixo desempenho “Into You.” É uma música de amor intensa que começa com uma letra que Lorde falou no twitter que era talvez a coisa mais perto do “pop perfeito” que ela havia já ouvido: “Eu estou tão apaixonada por você/ Eu mal consigo respirar.” Perto do som acabar, depois da ponte épica, o refrão repete algumas vezes com uma espiral de harmonias e improvisos.

“Esses momentos para mim são quando a música se completa,” Ariana diz. “Quando você consegue o refrão, você faz alguns improvisos e todas as harmonias do mundo. Minhas coisas favoritas são produção vocal, harmonias e arranjo vocal. É quando o som cria suas próprias pernas”

Para mim, como um homem gay — e eu estou um pouco envergonhado por falar isso — esses momentos transcendentais na música e o modo como eu reajo a eles me lembram que ser gay não é uma escolha e que eu nasci desse jeito. Embora nossa fã base queer seja algo dado para a maioria das estrelas do pop, Ariana parece especialmente merecida. “Eu cresci cantando em bares gays,” ela diz. “Eu cresci com um irmão gay, que é meu melhor amigo. Garotos me ensinaram como me maquiar. Esse é um amor autêntico.” O segundo verso de “No Tears Left To Cry”, ela me conta, é sobre “esses doces fofos” na sua turnê e ao encontrá-la que tenham se assumido para ela.

É assim que ela disse que as conversas são:

Fã: Oi mãe.

Ariana: Oi bebê.

Fã: Eu sou gay.

Ariana: Arrasou! Sério?

Fã: Essa foi a primeira vez que eu contei isso pra alguém.

Ariana: O QUE!? DE JEITO NENHUM PORRA, VENHA AQUI!

São momentos como esse que a deixam animada para compartilhar este álbum e voltar a fazer turnês, apesar de tudo que ela passou no ano passado. Se a Doutrina de Ariana é cruzar o mundo espalhando amor e positividade na cara do ódio, ela está fazendo música que combinam com a ambição dessa meta de vida. “Eu nunca estive tão vulnerável para eu mesma,” ela diz. “Eu sinto como se estivesse me formando (como pessoa) quase. Eu sinto que tipo, por um bom tempo as músicas eram boas, mas não eram músicas que me fazem sentir algo como essas músicas fazem.”
Chegando ao fim do nosso momento juntos, ela me conta uma estória que resume o modo como sua vida tem sido ultimamente. Ela acontece em um dia nublado, chuvoso — seu tipo favorito. “Eu estava dirigindo do trabalho para casa e eu apenas senti uma paz impressionante sobre mim,” ela relembra. “Eu apenas comecei a chorar — lágrimas de gratidão por conta da perspectiva, do crescimento, de se abrir e encontrar seu chão novamente por conta da música, amigos, e amor. Eu estava impressionada em como se torna simples se você deixa que assim seja.”

Victor Gabriel

Postado por: Victor Gabriel


16 anos - Fortaleza, CE