Ariana Grande estampa capa da revista TIME; confira entrevista emocionante
17.05.18






  • Ariana Grande estampa a capa da nova edição da revista americana TIME, que traz como tema “Os líderes da próxima geração”. Na capa, a publicação diz: “Ariana Grande e mais 9 ativistas, artistas e atletas em ascensão”.

Confira as fotos, vídeo e entrevista abaixo:

FOTOS:

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CAPTURAS

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Desde 2014, a franquia bianual da TIMESLíderes da Próxima Geração”, produzida em parceria com a Rolex, já destacou mais de 60 jovens que estão em um caminho brilhante em política, entretenimento, moda, ciência, esportes e outros. E muitos passaram a ter um profundo impacto no mundo.

Ariana Grande está pronta para ser feliz!

Ariana Grande está feliz, e é importante pra ela deixar que as pessoas saibam disso. Porém, seria difícil não notar sua felicidade neste dia ensolarado de primavera em sua casa em Beverly Hills. Ela a transmite para fora de si enquanto se deita no gramado, falando com voz de bebê com Toulouse, e ela (felicidade) preenche o seu caminho enquanto ela caminha de dentro da sua casa para o gramado, girando e rodopiando em um vestido cinza de tule com babados.

Ela tem muitos motivos para estar feliz. Com 24 anos, Ariana é uma das maiores estrelas pop do mundo, e ela está vindo com novas músicas, dois anos após seu último álbum, o poderoso Dangerous Woman. Seu mais novo single se chama “No Tears Left to Cry.” Pelo título, você esperaria por uma balada fraca – ela não tem mais lágrimas! Ao invés disso, é triunfante, uma mistura de house dos anos 90 com pop, os vocais te deixam parte ofegante, parte enérgico, brincadeiras com as palavras. Ela escolheu com cuidado: “A introdução é lenta, e depois ela acelera”, ela diz. “E é sobre captar as coisas.”

Ariana fez uma música sobre resiliência por que ela teve que passar por isto, de uma maneira difícil de imaginar, depois que terroristas detonaram uma bomba do lado de fora de seu show em Manchester, na Inglaterra em 22 de maio de 2017, matando 22 pessoas e deixando mais de 500 feridos. O que aconteceu é parte da música, mas a música não é sobre o que aconteceu. Ao invés de expressar tristeza, é alegre e atraente, e Ariana está orgulhosa disso, e dela mesma. “Quando eu comecei a cuidar mais de mim, então veio o equilíbrio, a liberdade e a alegria”, ela diz. “Isso se emana na música”. No vídeo da música, ela está de cabeça para baixo, do jeito que a vida costumava ser. “Nós mexemos com a ideia de não conseguir ter os pés no chão novamente”, ela diz, “porque eu sinto como se eu finalmente estivesse com os pés no chão agora”.

Grande é pequena, com olhos de boneca e um largo, sorriso. Ela normalmente usa seu cabelo em um grande rabo de cavalo, mas hoje está preso pra trás em um coque elaborado, com pequenas mechas de cabelo vindos de trás de sua orelha como uma auréola. Quando ela fala, é sincera e entusiasmada- você consegue sentir sua origem de ser uma criança do teatro.

Grande cresceu no sul da Flórida, sua mãe era CEO de uma empresa de comunicação e seu pai um designer gráfico de sucesso. Quando criança, ela gostava de performar. “Eu amava usar máscaras de Halloween em junho e fazer stand-ups na cozinha para meus avós”, ela diz. Ela era precoce e segura de si. “Meu amigo da pré escola encontrou um caderno que devemos ter escrito quando tínhamos 5 ou 6 anos que era tipo “O que você quer fazer quando crescer?” ela diz. “O meu dizia, quero estar na Nickelodeon e daí eu quero cantar.”

Ela performou no teatro local, e então na Broadway no musical 13. Quando tinha 16 anos, entrou para o elenco de Victorious, série da Nickelodeon, o que a tornou uma estrela, embora principalmente com espectadores mais jovens, e ela se envolveu com o pop chiclete. Ela assinou com a Republic Records após o presidente ver vídeos dela fazendo covers de Whitney Houston e Adele no YouTube.

Seu primeiro single oficial, “The Way”, foi lançado em 2013. Ele não se parecia nada com as músicas que ela havia gravado para a Nickelodeon; era jovial, um cativante soul antigo, e mostrou sua voz arrebatadora, que às vezes parece quase instrumental. (Mesmo seus fãs mais obcecados apontam isso, dependendo como ela está cantando, é difícil entender suas letras- uma crítica que ela claramente leva em conta. Em algum ponto da nossa entrevista, depois de terminar um pensamento, ela se virou pra mim e perguntou, “Eu pronunciei errado?” e então sorriu de forma levada.

Seu primeiro álbum, “Yours Truly”, estreou em primeiro lugar no Billboard 200 e vendeu mais de 500,000 cópias mundialmente, e os seguintes, “My Everything” e “Dangerous Woman”, foram ainda melhor. Ela lançou uma sequência de colaborações que ficaram no topo dos charts. incluindo “Problem” (com Iggy Azalea), “Love Me Harder” (com The Weeknd) e “Side to Side” (com Nicki Minaj). Ela fez turnê mundial. Foi rotulada como diva, como acontece com quase toda mulher na música. Se tornou a terceira pessoa mais seguida no Instagram. Era muito para lidar, mesmo que ela tenha pedido pelo sucesso. “Teve um período de ajustes, porque minha vida mudou drasticamente”, ela diz. Ela está segura com isso agora, “Se eu quiser sair, então vou sair como Ariana Grande e vou estar ok com isso”, ela diz. “Se estou me sentindo menos ok, eu provavelmente vou ficar na cama e assistir Grey’s Anatomy.”

Tudo era diferente, ela diz, quando estava fazendo seu novo álbum. Primeiramente, ela tomou as rédeas escrevendo suas músicas, o que ela nunca havia feito antes. “Eu estava muito animada por estar cantando”, ela fala sobre seus esforços anteriores. “Então eu co-escrevi, mas eu nunca estava envolvida”. Ela também foi mais expressiva com seus produtores- Max Martin, Savan Kotecha e Pharrell Williams, três dos mais confiáveis hitmakers na música- sobre experimentar o seu som. “Não havia nada que eu não tentasse”, ela diz. Ela disse a Williams que ela queria “fazer a coisa mais estranha possível primeiro.” Há muitos momentos na música- tanto no lead single quanto no hino, quente e sensual chamado “God Is a Woman” – no qual a voz de Ariana é colocada em camadas, para poder parecer um coro, mas na realidade, é só ela, multiplicada. Em outra música, “Get Well Soon,” seus vocais estão entrelaçados em densas camadas de som, criando um efeito de outro mundo. “É tipo eu falando com todos meus pensamentos na minha cabeça”, ela diz, “e eles estão cantando de volta pra mim.”

Ela credita essa liberdade criativa com o trabalho que ela tem feito de se curar. “Eu me senti mais inclinada a tocar nos meus sentimentos porque eu estava passando mais tempo com eles”, ela diz. “Eu estava falando mais com eles. Eu estava fazendo mais terapia.” Apesar de ter tido problemas com a ansiedade no passado, ela diz “Eu nunca me abri sobre isso, porque eu achava que era como a vida deveria ser.” O que, especificamente, a estava deixando ansiosa? Ela balança sua cabeça. É difícil de falar sobre.

Aqui está o que Scooter Braun,empresário de Ariana, me conta sobre o que aconteceu no último verão, depois do ataque terrorista em Manchester. Ariana havia voado para casa para ficar na casa de sua avó em Boca Raton, e Braun a encontrou lá, onde ele a pediu algo que, como ele disse, sabia que na época era injusto. “Eu disse, “Nós precisamos fazer um show e voltar lá”. Ela me olhou como se eu fosse louco. Ela disse, “Eu nunca mais vou conseguir cantar essas músicas de novo. Eu não posso colocar essas roupas. Não me coloque nessa posição.” Eles decidiram cancelar o resto da turnê.

Dois dias depois, Braun estava em um voo, e quando pousou, havia recebido 16 mensagens de texto de Ariana dizendo, “Me ligue. Preciso falar com você.” Quando eles finalmente se falaram, ela disse “Se eu não fizer nada, estas pessoas terão morrido em vão.” Eles decidiram fazer um show em Manchester para ajudar as famílias que foram afetadas.

No minuto em que chegaram, apenas dois dias depois do bombardeio, se dispuseram a ajudar. Eles foram ao hospital e falaram com os sobreviventes. Eles conheceram as famílias dos falecidos. Conforme o show se aproximava, eles começaram a se preocupar sobre as pessoas estarem com medo demais para comparecerem.

Mas mais de 50,000 pessoas apareceram. Uma dúzia de outros artistas- incluindo Justin Bieber, Coldplay e Katy Perry- apareceram para performar. Ariana fechou a noite com uma performance de “Somewhere Over the Rainbow,” com lágrimas escorrendo por seu rosto. O show, chamado “One Love Manchester”, passou ao vivo na British TV e foi assistido por todo o mundo, junto com informações sobre como doar; ele ajudou a arrecadar mais de 12 milhões para as vítimas do bombardeio e suas famílias. A cidade de Manchester nomeou Ariana como cidadã honorária, a elogiando por seus “muitos atos altruístas e demonstrações de espírito comunitário.”

“Nós colocamos muito nos ombros dela,” Braun diz. “E ela deu conta. Você sabe, pelo resto da vida dela, ela pode dizer que ela é exatamente quem ela diz ser.”

Então foi isso que aconteceu. Depois do show de Manchester, Ariana terminou a turnê. E então ficou na dela por um tempo.

Ariana havia criado a carreira na efervescente alegria de ter música como escape: a voz arrepiante, os emocionantes shows ao vivo, os vídeo clipes perfeitos. Agora, mesmo que ela não tivesse nada a ver com o ataque, ela havia virado o centro da narrativa de uma maneira que se tornou imparável. E o que ela havia realmente perdido, comparado com todos os outros? Pessoas haviam perdido seus filhos, pais, companheiros, amigos. Criar algo que fosse explicitamente sobre isso iria fazer parecer que ela estava se aproveitando disto. Mas ignorar isto não seria sincero.

Ela sabia o que eu iria perguntar antes mesmo que eu falasse as palavras. Ela pode ver em meus olhos, e eu posso ver nos dela, e ela começa a chorar- sem lágrimas graciosas, mas profunda e soluçante. “Desculpa,” ela diz. “Eu vou dar o meu melhor”.

Devagar, ela começa a falar: “Existem tantas pessoas que sofreram com perda e dor.” Se próprio pesar é enorme e insignificante. “A parte de processar (o que aconteceu) vai durar pra sempre,” ela diz, e soluça novamente. Ela não quer falar sobre o ataque. “Eu não quero dar tanto poder a isso,” ela diz. “Algo tão negativo. É absolutamente o pior da humanidade. É por isso que eu dei o meu melhor para reagir como eu reagi. A última coisa que eu poderia querer que meus fãs vissem algo como aquilo acontecer e acharem que eles ganharam.”

“Supostamente música é pra ser a coisa mais segura do mundo,” ela continua. “Eu acho que é por isso que isso continua tendo um peso tão grande no meu coração todos os dias.” Ela respira fundo. “Eu gostaria que eu pudesse ter feito mais. Você acha que com o tempo será mais fácil de falar sobre. Ou que você ficará em paz com isso. Mas todos os dias eu espero essa paz vir e ainda dói muito.” Não há uma resolução. Não há um porque. Apenas aconteceu. Ariana olha para o céu. “Me desculpe,” ela diz novamente. “Qual era a pergunta?”

A abelha tem sido o símbolo de Manchester por anos; é um símbolo do trabalho duro de seus moradores, as abelhas trabalhadoras que construíram a região durante a Revolução Industrial. Após o ataque, milhares de pessoas em Manchester fizeram tatuagens com abelhas. Assim como Ariana e os componentes de seu time. Agora ela vê abelhas em todo lugar. Tem uma no fim do vídeo de “No Tears Left to Cry,”na cena final, voando para longe.

É uma parte de como ela leva o que aconteceu com ela em Manchester. Ela performou no Charlottesville, shows de caridade, como o March For Our Lives rally em Washington, e ela se encontrou com alguns dos sobreviventes do tiroteio de Parkland. “Eles são tão novos, mas tão brilhantes e tão fortes,” ela diz. “Nós tivemos muito o que falar sobre o que havíamos passado.”

Seu novo álbum, ela diz, se chama Sweetener. Ela escolheu este nome porque é a mensagem que quer passar para seus fãs: que você pode passar por uma situação ruim e fazer tudo ficar bem. “Quando é lhe dado um desafio” ela diz, “ao invés de ficar sentado e reclamando sobre isso, porque não tentar fazer algo bonito?”

Isso é o que ela está sentindo também. “Eu estou feliz” ela diz, e lágrimas saem de seus olhos novamente. Ela as seca. “Eu estou chorando” ela diz, “mas estou feliz.”

Ana Liziane

Postado por: Ana Liziane


21 anos, Natal/RN