Categoria: Entrevista


16.07.18



Pronta para lançar sem quarto álbum, “Sweetener“, Ariana Grande estampa capa da revista ELLE do mês de Agosto. Na entrevista, a cantora abre seu coração e fala sobre o seu novo álbum, a música “Get Well Soon”, feita em parceria com Pharrell Williams, que aborda como Ariana estava se sentindo depois do atentado em Manchester, seu noivo e mais. Confira as fotos, vídeo e entrevista traduzida abaixo:

Ariana Grande está aqui para salvar os EUA
Para os seus milhões de fãs, Grande é a luz guia de feminilidade – e feminismo – descarado.

Ariana Grande é uma estrela. Uma estrela gigante. Para os milhões de Arianators, como seus fãs são conhecidos, ela é a força radiante e que dá vida quando eles acordam de manhã até irem para cama à noite. Eles acompanharam as fases da sua carreira desde quando ela surgia na Broadway (no musical ‘13’), para a TV (‘Brilhante Victória’ e ‘Sam & Cat’, da Nickelodeon), até o ápice do estrelato pop e sucesso comercial (oito singles multiplatinados, 9 bilhões de visualizações nos seus clipes no YouTube). Eles contribuíram com os mais de 100 milhões de dólares que suas turnês faturaram, caindo no gosto de Drake e Sting, na sombra de um metro e meio, pequena mas longa, de Ariana. Eles estão entre os 121 milhões de seguidores de Ariana, a tornando a terceira pessoa mais seguida da rede social, acima tanto de Kim Kardashian quanto Beyoncé. Quando seu álbum mais recente, Sweetener, sair em 17 de agosto, os Arianators já terão ajudado seu primeiro single, “No Tears Left to Cry,” a quebrar recordes alcançados por ninguém menos que a própria Ariana.

FOTOS: CAPA

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Quem os chama é a voz melosa de quatro oitavas que Ariana tem. Mas eles também são atraídos pelo seu brilho: os vestidos estilo abajur e patinadora no gelo. As orelhinhas de gato, coelho e Minnie Mouse que ela frequentemente usa sem cerimônia. No Twitter, ela fala com seus fãs fluentemente na linguagem da internet, conversando à vontade com emojis de macaquinhos e formando sentenças completas apenas com siglas. Em poucas semanas, ela foi de encontros casuais com Pete Davidson, do Saturday Night Live, para um noivado. A relação deles nasceu, em partes, a partir do fandom de Harry Potter (ele: Grifinória, ela: Sonserina). No Instagram, eles flertam sem culpa, como se ninguém estivesse vendo (todos estão). E também, é claro, sua marca registrada, o rabo de cavalo, a direção, altura e tonalidade que os Arianators rastreiam como uma civilização antiga acompanhando a lua. Para quem olha casualmente, a aparência da cantora pode parecer juvenil, até mesmo de forma absurda, mas há uma subversão na maneira infantil com que Ariana se porta. Sua figura brilhante e reluzente esconde uma personagem de muitas nuances. Ela está em terapia por mais de 10 anos, desde quando seus pais se divorciaram, e assim sendo trafega em autoconsciência. “É um trabalho,” ela me conta, sentada no sofá da suíte do seu hotel com vista para o Central Park. “Eu sou uma mulher de 25 anos. Mas eu já passei vários dos últimos anos crescendo em circunstâncias muito extremas. E eu sei como essa história continua…” Corta para uma estrela mirim antiga em uma foto na cadeia. E um escândalo.

Ela tem assistido muito [o programa] Planet Earth ultimamente. “Você já viu aqueles peixes com cabeças transparentes? Eles são alienígenas! É isso que eles são! São mesmo.” Ela me leva para uma “longa jornada” encantada com o espaço sideral. Mas nas suas reflexões intergalácticas estão a procura por uma perspectiva: “Os planetas, as estrelas, não há nada que nos torne mais humildes que isso. Nós nos estressamos tanto com coisas pequenas quando, em um panorama geral, nós somos apenas um punhado de poeira nesse planeta minúsculo nesse sistema solar enorme que também é um cisco perto de um buraco negro gigante e misterioso, que nós nem sabemos o que é!” Ela respira. “Pensar sobre como somos pequenos, é maluco. Nós não somos nada.”

Não que Ariana seja cética. Ela fala da força da comunidade nesses “tempos difíceis, bárbaros e caóticos em que vivemos” e aponta como a nação está dividida. Ela convoca uma ação: “Todos têm que ter conversas desconfortáveis com seus parentes. Em vez de desfazer a amizade com alguém no Facebook que compartilha uma visão política diferente, comente! Converse! Tente espalhar a porra da luz.” Ela se torna alguma heroína feminista pela sua habilidade de calar o machismo e misoginia com um único tweet. No mais recente, a respeito do seu ex, o rapper Mac Miller, que supostamente dirigiu bêbado e bateu seu carro pouco tempo após o término dos dois. Um perfil no Twitter sugeriu que seria culpa de Ariana. “Quão absurdo é que você minimize o respeito próprio e autoestima femininos dizendo que alguém deveria continuar em um relacionamento tóxico,” ela escreveu. “Envergonhar/culpar mulheres pela incapacidade de um homem de se controlar é um grande problema… Por favor, pare de fazer isso.” O usuário se desculpou. Ela aceitou.

FOTOS: ENSAIO

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Eu encontrei Ariana em uma tarde ensolarada de maio. Seu cabelo estava arrumado no que eu chamarei de três-vias – dois rabos de cavalo platinados indo até o topo de cada lado da sua cabeça, e uma terceira parte feita de extensões descendo por suas costas. Eu pergunto se ela está, de fato, comunicando-se com seus fãs através de seu cabelo. “Eu nunca pensei dessa forma,” ela diz, girando uma das tranças. “Mas talvez haja uma conexão telepática, sim.” De qualquer forma, seu rabo de cavalo favorito é “o alto, liso e escuro. Mas ele tem várias formas. Muitas mesmo. Há diferentes jeitos de usá-lo.” Incluindo perucas totalmente sem rabo de cavalo, como a que ela usou para o ensaio da Elle. (Palmas para o seu cabeleireiro, Josh Liu, por arrumar os fios difíceis de controlar, por horas.)

Na noite anterior, Ariana compareceu ao seu primeiro Met Gala em um vestido de Vera Wang que deixou seus fãs frenéticos. O “sonho fofinho,” como ela chama, conta com a pintura de Michelangelo, “O Último Julgamento,” da Capela Sistina, e foi “uma prévia, uma dica,” do seu próximo vídeo para “God Is a Woman.” O segundo single é a música favorita da sua avó, Nonna, de 92 anos, no álbum novo. Apenas pelo nome, eu pensei que a faixa seria um hino alto astral perfeito para a Marcha das Mulheres, algo parecido com “Roar” de Katy Perry com batidas R&B. Eu ouvi algumas semanas depois. Meu Deus, como estava errada. Digamos que é mais sobre trabalhar na cama que no escritório. Nonna, você é tão danadinha!

Traços astutos e travessos correm pelas veias maternais de Ariana. “É uma coisa italiana, nós temos um humor negro,” ela diz. Nonna adora [o jogo] Cartas Contra a Humanidade (um exemplo de carta: “Pedaços de uma prostituta morta”). E para o aniversário de quatro anos de Ariana, sua mãe, Joan, deu uma festa com o tema do filme “Tubarão”. “A maioria das crianças estava correndo, gritando, porque eu coloquei o filme em uma tela gigante,” Joan relembra. “Os pais diziam, ‘Está maluca? Nossas crianças não assistem isso!’ Mas era o filme favorito [de Ariana].” Joan é uma chama de fala mansa. Nascida no Broklyn, a mulher de 61 anos que estudou em Barnard era “gótica antes de gótica ser gótica,” ela diz, e nomeia Poe e Hawthorne como suas companhias favoritas na faculdade. Na casa em Boca Raton, Flórida, ela fez a alegria macabra de Ariana e seu meio irmão mais velho, Frankie. O Halloween era tão importante quando o Natal. “Eu ia no açougue, comprava corações ou pulmões, e depois ia até eles, ‘Ariana, Frankie, isso é um coração.’ As crianças pintavam com sangue nas paredes. Eu lembro das marquinhas das mãos de Ariana.”

A família ia à Disney regularmente, onde Ariana se atraía pelas malvadas tipo Cruella de Vil e Malévola. “Se tivéssemos que escolher entre ir na loja das princesas ou das vilãs, sempre escolhíamos as vilãs,” Joan conta. É importante dizer que as maiores brigas entre mãe e filha “tinham a ver com garotos.”

Aos oito meses grávida de Ariana, Joan se mudou de Nova Jersey para Flórida para abrir uma empresa de equipamentos de comunicação marítimos, que ela ainda comanda e opera. Pelo telefone no seu escritório, ela explica que ela e sua irmã mais velha, Judy, sempre questionaram o status quo. Ariana as chama de “rainhas feministas completas.” Judy era amiga de Gloria Steinem [escritora e ativista feminista] e foi a primeira ítalo-americana presidente do Clube Nacional de Imprensa. Quando Joan montou sua empresa, ela a fez pensando nas mães trabalhadoras: “Eu fiz esse prédio com uma área de creche. Eu realmente fiz questão. Os empregados traziam suas crianças, e Ariana ficava aqui quase todo dia.” Eu pergunto se ela já cogitou largar seu trabalho, dado o sucesso astronômico de sua filha. Uma pergunta estúpida. “Nós somos muito próximas,” ela fala sobre a relação das duas. “Mas eu não vivo minha vida através da vida dela. Eu tenho uma carreira incrível. Eu trabalho porque isso me realiza como pessoa. Porque eu sou a Joan, e não Ariana ou Frankie. Eu nunca vou querer perder a Joan em algum lugar pelo caminho.”

FOTOS: BASTIDORES

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Tem um buquê de rosas brancas na mesa de centro no hotel de Ariana. No bilhete: “Para a minha querida Ariana: Você é a verdadeira obra de arte! Te amo demais, Mamãe.” Já faz quase um ano desde que eles escaparam de um ataque terrorista no Reino Unido que levou 22 vidas e deixou mais de 500 feridos no show esgotado da Dangerous Woman Tour, em Manchester. Ariana hesita em falar sobre isso. Por um motivo, a cicatriz ainda está muito recente, mas ela também não abre mão de que sua história não sobreponha a das vítimas. Então nós falamos por cima. “Quando eu cheguei em casa da turnê, eu tive tonturas sérias, sentindo falta de ar,” ela começa. “Eu ficava de bom humor, bem e feliz, e então [o sentimento] vinha do nada. Eu sempre tive ansiedade, mas nunca foi físico antes. Houve alguns meses seguidos que eu me senti tão de cabeça para baixo.” Ela compartilhou a experiência com seu amigo Pharrel Williams. Juntos eles criaram “Get Well Soon,” a música que encerra o Sweetener.

“São todas as vozes na minha cabeça conversando uma com a outra,” ela explica, antes de fazer uma leve serenata para mim. “’Dizem que meu sistema está sobrecarregado,’” ela canta, “e aí as vozes de fundo dizem, ‘Garota, o que tem de errado com você? Volte aqui.’” A versão de estúdio é um verdadeiro mil folhas de vocais, empilhando camada por camada da voz de Ariana até que ela aterrissa, completamente.

Joan estava na plateia na noite em que a tragédia aconteceu e relembra o caos. “Eu estava como um peixe nadando na direção errada. Todos estavam saindo, e eu estava indo em direção ao palco. A bomba explodiu, e eu olho para aqueles jovens com olhares de medo. Alguns estavam pulando dos assentos na parte de cima para sair. Eu comecei a juntar as pessoas. Eu poderia ter guiado eles…” Sua voz some, os “e se” são dolorosos demais para se imaginar. “Eu não sabia para onde estava indo. Eu só sabia que estava indo para a minha filha. Sem querer ser dramática demais – eu sofro com isso todo o dia – mas eu não sabia o que poderia encontrar quando eu chegasse nela. Eu simpatizo com cada pai que estava esperando por seu filho. Aqueles minutos que você não sabe o que está acontecendo… Não tenho palavras.”

Eles pegaram um voo de volta para Boca imediatamente, o futuro parecia incrivelmente incerto. Ariana chorava sem parar e mal falou por dois dias. Era difícil dizer se ela iria se apresentar de novo. E então Joan ouve alguém batendo na sua porta. “Era uma ou duas da manhã; ela se arrastou para a cama e disse, ‘Mãe, vamos ser sinceras, eu nunca vou deixar de cantar. Mas eu não vou cantar de novo até eu cantar em Manchester primeiro.’” Elas ligaram para seu empresário, Scooter Braun, e o concerto One Love Manchester nasceu, ajudando a angariar 23 milhões de dólares para o Fundo de Emergência We Love Machester. Sobre como o evento mudou Ariana, Joan diz “Ela agora ama um pouco mais sem medo do que amava antes.” Eu gentilmente abordo o assunto com Ariana, e só de mencionar Manchester uma grande lágrima desce por sua bochecha. “Você ouve essas coisas,” ela começa devagar. “Você vê nos jornais, você tweeta a hashtag. Já aconteceu antes, e vai acontecer de novo. Você fica triste, pensa um pouco sobre isso, e então as pessoas esquecem. Mas viver isso em primeira mão, você pensa em tudo de forma diferente…” Ela pausa, engolindo o nó na sua garganta. “Tudo é diferente.” Voltar aos palcos foi “aterrorizante.” Ainda é, algumas vezes. Ela dá os créditos aos fãs por serem sua maior fonte de coragem.  “É a coisa mais inspiradora do mundo ver eles lotarem uma arena”.

Eles rindo, segurando placas dizendo, ‘O ódio nunca vencerá.’” As lágrimas estão a todo vapor agora. “Por que eu hesitaria em subir ao palco e estar lá para eles? Aquela cidade, e a reação deles? Aquilo mudou minha vida.” Ela continuou até terminar o resto da turnê mundial, encerrando com uma performance no ‘A Concert for Charlottesville’, outra cidade cambaleando após uma violência sem sentido. Muitos dos artistas no top 40 – aqueles que, digamos, tem uma certa reputação – aparentemente relutam em se posicionar politicamente. Provavelmente, com medo de perderem fãs ou lucro. “Isso é loucura pra mim,” Ariana diz. Ela fala em voz alta e com orgulho sobre ser anti-Trump e se posicionou a favor da reforma armamentista e o ‘Black Lives Matter’. Eu pergunto se ela recebeu alguma crítica. “É claro!” Ela diz. “Há muito burburinho quando você diz qualquer coisa sobre qualquer coisa. Mas se eu não for falar, por que estou aqui? Nem todos vão concordar com você, mas não quer dizer que eu vou apenas calar a boca e cantar minhas músicas. Eu também vou ser um ser humano que se importa com outros seres humanos; ser uma aliada e usar meu privilégio para ajudar a educar as pessoas.” Para ela, o papel do artista “não é apenas ajudar as pessoas e as confortar, mas também instigá-los a pensar de forma diferente, levantar questões e pressionar seus limites mentalmente.”

*Ariana canta uma pequena prévia de sua nova música “R.E.M” em 3:30*

Há outra música no ‘Sweetener’ que eu julguei mal baseada apenas no título. Eu presumi que “The Light Is Coming” seria uma balada doce em resposta aos seus dias mais obscuros. Não mesmo. É uma faixa dançante com um baixo esmagador com a participação da amiga de Ariana, colaboradora, e ‘irmã mais velha,’ Nicki Minaj. (“É uma situação de pegar ou largar. Ela é melhor que tem, [no rap] masculino ou feminino,” Ariana diz.) “A luz está vindo para devolver tudo que a escuridão roubou,” Ariana cantarola. Mas então, o que é a luz sem a trevas? Eu penso na casa de Joan no Halloween, a festa do ‘Tubarão’, aquelas vilãs – e a estrela brilhante que tira energia de tudo isso.

Antes de eu ir, Ariana me mostra suas unhas para o Met Gala. Também é com “O Último Julgamento”, dessa vez estampado nos seus dedos, cada unha pintada de dourado com um pequeno detalhe de ouro em 3D. Os detalhes são de surpreender, e ainda assim é uma pequena tatuagem do símbolo feminino que chama minha atenção. É no seu dedo do meio. “É, vem a calhar,” ela diz.


02.06.18



Hoje (30), foram divulgadas as fotos e a entrevista concedida por Ariana Grande para a revista The Fader. A cantora falou sobre o seu atual single de trabalho, “No Tears Left To Cry“, e também confirmou o lançamento de seu novo álbum — intitulado de “Sweetener“, para agosto.

Confira abaixo as fotos de Ariana para a edição da revista e também a entrevista completa traduzida:

    

Ariana Grande encontrou um terreno estável quando não tinha um. Agora ela está fazendo música que sempre sonhou em fazer.

Eu realmente não queria começar falando sobre o rabo de cavalo de Ariana, mas eu não consigo. Hoje, seu cabelo prateado foi construído com muitas extensões por seu Deus grego dos cabeleireiros, Chris Appleton; enquanto Ariana se movimenta pelo estúdio fotográfico usando chinelos que desenhou para Rebook, ele balança atrás dela como um Pokémon leal. Tem um detalhe trançado na frente que se estende até atrás onde está preso, com algumas partes coloridas com um agradável tom de lilás. Quando eu a vi pela primeira vez do outro lado da sala — com sua mãe, Joan, que está em completo modo de mãe e empresária de Calabasas — Eu soltei um longo “siiiiiim” sob minha respiração.

A cantora de 24 anos tem usado variações do penteado alto e apertado desde 2013 e raramente aparece em público sem ele. Em 2014, depois de algumas pessoas na internet implorarem por um novo penteado, ela explicou em uma nota no Facebook que era o único jeito que ela se sentia confortável usando seu cabelo: anos descolorindo e pintando seu cabelo de vermelho, quando ela era adolescente é atuava na Nickelodeon, estragaram severamente seu cabelo.

Na arte de capa de “No Tears Left To Cry”, o primeiro single de Sweetener, seu quarto álbum, com lançamento para julho, ela provavelmente deixou seus fãs carecas ao ser fotografada com um rabo de cavalo que era 45 centímetros mais baixo que o normal. Como um tweet que viralizou disse: “Ariana baixou seu rabo de cavalo, vocês estão acabadas vadias.”
Desde que lançou seu primeiro single aos 19, Ariana conseguiu desafiar a convenção das estrelas do pop de reinventar seu look para cada era musical. No fim da nossa entrevista, eu perguntei se ela considerava ir por um caminho totalmente diferente no ciclo desse álbum, tipo se ela alguma vez já pensou em raspar sua cabeça. Depois do ano que ela teve, ela poderia certamente usar a carta da reinvenção.

Ela enrola o cabelo em sua mão, dá uma penteada e agita ele suavemente. “O rabo de cavalo também passou por uma evolução, e eu estou orgulhosa disso,” ela diz com uma colherada de autoconsciência. “Antigo rabo de cavalo? Eu não sei se ele é aquela garota. Mas o novo rabo de cavalo? Eu gosto dele. Quer dizer, é como uma angel da Victoria Secrets sem as asas de anjo. Continua sendo ela sem elas, mas quando ela está usando é tipo, Ahh, eu entendi, ela é uma angel”.

Durante a sessão de fotos para esta história, ela foi exatamente como a Ariana que eu tenho visto em shows e sigo nas redes sociais: absurdamente calorosa, uma criança do teatro o tempo todo. Quando tivemos problemas com o som no set, ela cantou Christmas Carols para o deleite de todos. Todos os dias, ela manda para seus amigos mensagens de voz de bom dia em um tom caricato e demoníaco. Ela é o tipo de pessoa que descobre que sua música é número um em 80 países e as únicas palavras que compartilha com seus seguidores é um emoji com “Caramba, muito obrigada, como assim??????”

No fim do dia, sua equipe coordenou sua saída. Uma Range Rover vai até o estúdio e os seguranças a colocam pra dentro como se estivessem escoltando um chefe de estado. Parece que esse será o novo normal dela para o resto da vida.

Em maio de 2018, Ariana performou para um show lotado em Manchester, pausa na sua turnê Dangerous Woman, Reino Unido, que originalmente foi planejada para levá-la a seis continentes em oito meses. Pouco depois que o show acabou, uma bomba explodiu nos arredores da arena. Seus shows atraem uma platéia bem jovem, então a área estava cheia de pais esperando para buscar seus filhos. A explosão matou 23 pessoas e feriu mais de 500. Foi o ataque terrorista que mais matou pessoas no Reino Unido em mais de uma década.

Ariana e sua equipe ainda estavam nos bastidores quando isso aconteceu e nenhum deles saiu ferido. Horas depois que eles foram levados para longe da arena em segurança, ela tweetou, “devastada. do fundo do meu coração, eu sinto muito muito mesmo. eu não tenho palavras.”

Mesmo quase um ano depois, ela ainda não consegue falar muito sobre isso. Ela não tem sentado para dar uma entrevista em meses, é basicamente cortou toda a comunicação com o mundo lá fora. Na primeira menção á palavra Manchester em nossa conversa, seus olhos começaram a encher d’água. Como ela explica pra mim, “Eu achei que com o tempo, e terapia, e escrevendo, e colocando meu coração pra fora, e falando com meus amigos e família seria mais fácil de falar sobre, mas eu ainda acho difícil de encontrar as palavras. Quando você está tão conectado a algo tão trágico e terrível e o oposto do que música e shows devem ser, isso meio que deixa você sem chão.”

Em algumas horas depois do ataque, Lloyd’s of London, o banco que fez o seguro de sua turnê, ligou para o empresário dela, Scooter Braun, e disse que eles cobririam todo o pagamento de Ariana pelo resto das datas. Porque ela teria evitado todo o custo de realizar os shows, ela realmente perderia mais se cancelasse. Mas como Scooter me falou depois, “Não era sobre dinheiro pra ela. Era sobre mostrar aos seus fãs e ao mundo que ela é quem diz ser e que ela está forte por eles.”

Eles suspenderam a tour por sete datas, mas Ariana queria voltar para a estrada. Scooter sugeriu que tocassem em Manchester novamente, e eles rapidamente organizaram o que veio a ser o One Love Manchester, um concerto beneficente que arrecadou mais de 23 milhões de dólares para as vítimas e suas famílias. Em 3 de junho, um dia depois do evento ser confirmado, um ataque terrorista aconteceu em Londres: um motorista de uma van na London Bridgestone dirigiu em direção a uma multidão e matou oito pessoas. Ariana e outros artistas — Chris Martin, Katy Perry, e Marcus Mumford — todos concordaram que precisavam fazer este show mais do que nunca.

No fim do show, depois que todos os artistas se juntaram para cantar “One Last Time” de Ariana, ela lentamente caminhou para frente do palco sozinha. Ela começou a cantar “Over The Rainbow” de O Mágico de Oz, apenas com um piano ao fundo. Ela tropeçou no refrão da primeira vez, mas voltou, repetindo-o com uma convicção tão impressionante que era impossível não ouvir a música — uma que você ouviu por toda sua vida — de uma maneira completamente diferente. Nas filmagens deste momento, todas as pessoas estão chorando. Ariana terminou a música em meio a lágrimas e era possível ouví-la chorando no microfone, a primeira vez em que ela quebrou a casca durante toda a noite. Ela deu um jeito de cantar o refrão novamente.

Quando a pergunto porque ela escolheu essa música para fechar o show, ela começa a chorar novamente. A música era a favorita de seu avô, ela diz, e ela cantava para ele em casa quando ela era uma criança com uma voz potente e fora do normal. “Ele sempre me pedia para cantar nos meus shows. Ele sempre dizia, ‘Você sabe como você deveria acabar o show? “Over The Rainbow.”’ E eu nunca havia feito até esse momento. Quando eu estava me aprontando para fazer isso, eu estava pensando nele e eu senti sua presença de uma maneira muito forte na minha volta. Ele era a pessoa que eu era mais próxima na minha vida. Ele era tudo que eu queria ser: como um homem de negócios, um cavalheiro, como um amigo, tudo. Ele era perfeito pra mim.”

Em dias depois do ataque em Manchester, quando ela estava se recuperando na casa onde cresceu em Boca Raton, Flórida, ele estava lá também. “Eu achei uma pilha de bloquinhos de papel perto da minha cama, em um saquinho com fecho, e ele tinha escrito nele, ‘Para Ariana.’ Eu não me lembrava de ter visto isso antes e não estava na minha cama.” Ela diz que ela terminou o show com aquela música porque era pra ser: “Ele tocou no meu ombro e me disse para fazer isso.”

Ela disse que as lágrimas vieram naquele momento porque foi quando ela realmente sentiu que ela e o público haviam se tornado um só. “O fato de que todas essas pessoas foram capazes de tornar algo que representava o mais hediondo da humanidade em algo bonito e unificador e com amor é apenas louco.”

A turnê continuou logo depois do One Love Manchester, e Ariana passou junho, julho e agosto em uma jornada pela Europa, América Latina, e Ásia. “Nós empurramos isto é quando chegamos em casa, assim que começamos a diminuir o ritmo, todo mundo começou a sentir,” ela diz. “Foi quando o processo realmente começou. Nós estávamos cheios de adrenalina e estávamos sendo fortes uns com os outros. Quando chegamos em casa, nós ficamos tipo, ‘UAU. Agora o trabalho de verdade começa,’ e eu estou chorando.”

Mesmo antes disso, Ariana sabia que era hora de evoluir. Em 2016, ela se encontrou com Pharrell e disse a ele: “Me leve para algo completamente novo — apenas deixe fluir.” A dupla fez “um milhão” de músicas juntos, e ela diz que gostou da liberdade de criar sem uma gravadora limitando datas. Mais importante, que Ariana lembra, ele a colocou sentada, apontou para seu coração, e disse a ela que era hora de mostrar a seus fãs o que realmente acontecia ali. Por e-mail, ele explicou que seu papel como produtor dela era “parte ouvinte, parte terapeuta, parte estenógrafo.”

Ariana estava cansada de estruturas musicais diretas e queria muitas mudanças, o que é uma das habilidades particulares de Pharrel. Pegue, por exemplo, “The Light Is Coming”, um novo tipo de faixa — um choro longe de suas músicas fáceis de digerir do passado. Esse tipo de experimento criativo deve ser um pouco mais arriscado, mas como Pharrel me disse, os acontecimentos de Manchester deu um grande reinício ast expectativas do projeto. Metade das músicas que foram a lista final do álbum são produzidas por ele.

“Em tudo honestamente, eu sinto que tipo [depois de Manchester] foi quando pessoas diferentes da gravadora realmente começaram a entender o que estávamos tentando fazer,” Pharrell disse. “É uma pena que tenha sido esta situação o que nos deu o contexto, mas eles foram capazes de realmente vê-lo. E essa é a verdade.”

“The Light” foi feita com uma parceria em mente, e Ariana fez uma audição com outro rappers para tomar este lugar — “Eu não quero parecer uma pessoa terrível, mas eu não estava amando nenhum deles” — antes de chamar sua amiga Nicki Minaj. Ela enviou a música por mensagem para Nicki e perguntou se ela estaria interessada em colaborar. Nas palavras de Ariana, Nicki ficou tipo, “pu-ta-mer-da-eu-amei-isso,” e a ligou em uma manhã chuvosa às 5 da manhã para ouvir seu verão. “Eu fui para o estúdio de chinelos e pijama e ela arrasou,” ela diz. “É isso que Nicki Minaj faz, ela eleva o nível das músicas. Se você vai colocar um rapper em uma música, ele tem que realmente realmente realmente estar ali por um motivo, e ela mostra isso todas as vezes.”

Em “Borderline”, outra produção de Pharrell, Missy Elliott faz uma participação especial, uma experiência que Ariana sonhava em ter desde muito pequena, dançando em seu quarto com as músicas de Missy, e estudando seus videoclipes dirigidos por Dave Meyers, que acabou dirigindo o clipe de “No Tears Left To Cry.”

A outra metade do álbum foi produzida pelo mais confiável e científico criador de hits do pop, Max Martin. Isso é muito do que Ariana produziu depois de Manchester, e ela disse que ela teve bloqueio em sua escrita dessa vez. É um pouco clichê dizer que o álbum novo de um artista é o seu mais pessoal até então, mas para Ariana é realmente verdade.
Em “Get Well Soon,” ela traça seu caminho por entre as esquinas de um ataque de ansiedade. “Garota o que tem de errado com você? / Volte aqui.” Eventualmente, ela canta para ela mesma para ficar estável novamente. Ela escreveu a letra logo depois de um ataque de ansiedade, e suas palavras têm como fundo piano, alguns sinos, e centenas de repetições de sua linda voz. “O que me faz sentir ok com me abrir e finalmente me permitir ser vulnerável né que eu sei que meus fãs sente o mesmo,” ela diz. “Eu tenho falado com eles sobre isso. Eu tenho fãs que se tornaram meus amigos. Eu tenho seus números, e nós conversamos todo o tempo. Eu toquei as músicas para eles antes de tocar para minha gravadora. Eles ficaram tipo, ‘obrigada’, quando ouviram essa. Foi muito assustador fazer isto, mas foi tipo, ‘Eu entendo isso, eu sinto isso também’…”

Esses sinais de riscos criativos são a parte mais pensativa da sua carreira. “Eu sempre fui tipo cantando, 5-6-7-8, dança sexy…. coisa sexy. Mas agora é tipo, ‘Ok… é um hino — mas é uma mensagem.é um hino mas também tem partes da minha alma nisso. Aí vamos nós. Além disso, eu chorei 10 milhões de vezes na sessão escrevendo isso pra vocês. Aqui está meu coração sangrando, e aqui está uma boa batida por trás disso.’ Definitivamente temos um pouco de choro-na-pista-de-dança nessa.” Ela faz um balanço com a deliciosa “No Tears,” o hino que introduziu as pessoas a essa nova era. Em “God Is A Woman,” um coro está por trás junto com uma variedade que poderia provavelmente ser excomungado por dançar da maneira certa.

Algumas semanas depois da nossa entrevista, Ariana postou em sua história do Instagram que ela havia decidido adicionar cinco músicas ao álbum, finalizando a lista com 15 músicas. Nós ligamos para falar sobre a mudança criativa de última hora, e Ariana parece mais feliz e enérgica do que antes.

Depois de recentemente atingir um período emocional, ela revistou algumas das músicas que ela havia decidido cortar inicialmente. As adições são mais três músicas das sessões com Pharrell, uma com Max, e uma com seu antigo e próximo colaborador e produtor Tommy Brown.
Ela primeiro se preocupou com que essas músicas fossem “muito emocionalmente honestas” e poderia fazer seus fãs ficarem preocupados, mas depois de um dos mesmos sobre os quais escreveu se tornar real, ela deu às músicas uma segunda chance. “Tem partes da minha vida que eles adorariam saber,” ela diz, “e momentos difíceis que tenho passado por um ano e meio passados merecem ser compartilhados porque eles me amam muito e se importam. Eu não quero esconder nenhuma dor deles porque eu consigo entender as dores deles. Porque não estar nisso juntos?”

Ela me explica que ela percebeu que ela continuava colocando barreiras emocionais. “Eu acho que eu estava tipo em 0 e fingindo estar em 10 por mais ou menos 10 meses,” ela diz. “Levou um tempo para eu estar, eu mereço estar em 10, e foda-se, e vamos, e agora eu me sinto tão livre e feliz pra caralho. Alcançar esse sentimento me fez olhar para essas músicas e ficar tipo O que? O que?! Eu não ia colocar isso no álbum? Ah meu deus, isso é um hino! Que porra eu tava pensando? O que eu tinha na minha própria cabeça que eu pensei em tirar isso do álbum.”

Recuperação é um processo real, e felizmente Ariana tomou um tempo para ela mesma. Ultimamente, ela tem mergulhado de cabeça e seu álbum aproveitando uma vida serena em L.A. com seus sete cachorros. Ela diz que tem assistindo intensamente muito Grey’s Anatomy, finalizando cinco temporadas — são mais de 100 horas — apenas no mês passado. Ela jura que é totalmente a Christina mas também compartilha do lado emocional de Izzie; se há alguma seis melhor sobre um grupo de amigos trabalhando em um processo aparentemente interminável de tristeza, eu não consigo pensar em nenhum.
Ela diz que terapia tem ajudado ela — na verdade ela tem feito por toda sua vida e sempre foi uma fã. “Tem me ajudado alisar com tanta coisa. Eu acho que é ótimo para todos. Especialmente no que diz respeito a isso. Terapia é o melhor. Realmente é.”

É também a primeira vez que ela tem vivido em sua casa desde talvez sempre, e ela tem saboreado isso. “Eu sinto como se do nada eu acordasse e eu sou adulta. É muito louco pra mim,” ela diz desacreditada e ela gosta de acordar às 6:30 da manhã e observar sua casa ser envolvida pela manhã de L.A., uma “deliciosa nuvem de sonhos,” ela diz.

“Eu nunca estive tão vulnerável para eu mesma. Eu sinto como se eu tivesse me formado (como pessoa) quase.”
No ano anterior a nossa entrevista, as únicas aparições públicas reais de Ariana foram para causas políticas. Em novembro ela apareceu como a pessoa mais nova a performar no A Concert for Charlottesville, um musical beneficente em Virgínia que foi organizado por Dave Matthews depois que Heather Heyer foi assassinada por um racista quando Neonazistas atacaram a cidade. Em março, ela foi uma das atrações principais na March for Our Lives em Washington D.C., a demonstração de estudantes contra a violência das armas após um tiroteio em passa na escola Marjory Stoneman Douglas em Parkland, Florida. “Nós estamos em uma difícil e as pessoas vêm respondendo com aceitação, amor, inclusão, paixão,” ela diz. “Essa geração, eles estão levantando e eles não vão aceitar não como resposta.”

Quando as crianças de Parkland vieram a Los Angeles, Scooter arrumou um jeito de elas a conhecerem antes que o protesto começasse. Eles sentaram no chão de sua sala em um círculo e conversaram sobre teatro, compartilharam experiências, e ela falou sobre Manchester, especificamente sobre o que acontece quando passa um tempo de um evento tráfico e tudo se acalma. Eles viraram amigos instantaneamente, se abraçaram e choraram muito.

“Isso resume quem ela é,” Scooter me disse. “É quando você vê o melhor dela: quando as câmeras não estão ligadas. Porque muitas pessoas sabem como fingir para as câmeras. Ela é quem ela é o tempo todo.

Uma coisa estranha de se pensar é que Ariana Grande quase não virou uma cantora — ela não foi sempre vista como uma pessoa facilmente relacionamento com talentos super humanos. Na Nickelodeon, ela fazia o papel da sempre-óbvia Cat Valentine na escola de arte da comédia Victorious, que tinha como estrela Victoria Justice. Eventualmente, o papel se tornou um novo spin-off chamado Sam&Cat, que teve uma primeira temporada bem sucedida mas acabou após 36 episódios. Ela gravou algumas músicas chiclete para séries e fez aparições especiais em alguns projetos da Nick, mas nada realmente fez mais sucesso desde sua aparição mais jovem. Sony havia passado ela, e a Nickelodeon não pensava nela como algo mais do que um personagem secundário. Então ela foi atrás da música do seu próprio jeito no YouTube, com seu username bem anos 2000 “osnapitzari.”

Em um vídeo que ela postou em 2007, quando ela tinha 14 anos, ela está parada na frente de uma máquina de pedal e usa diferentes gravações de sua voz para criar uma faixa com várias camadas dela mesma como cada instrumento e como a vocalista. É super fofo e psicoticamente impressionante. Alguns anos depois, em 2012 — com seu antigo rabo de cavalo — ela gravou um concerto de “Die In Your Arms” de Justin Bieber. Isso chamou a atenção do empresário de Bieber, Scooter Braun, que assinou contrato com ela logo depois. Sua estreia em 2013, Yours Truly, um álbum pop R&B, majoritariamente produzido por Babyface, estreou em primeiro lugar, assim como o seguinte, My Everything, o que tornou Ariana uma figura fica no top 10 da Billboard.

O alcance de quatro oitavas de Ariana, que é mais forte do que a da maioria das cantoras de pop atuais, faz dela uma estrela. Ela tem uma voz especialmente leve, o que faz suas notas altas soarem como canhões de glitter sendo jogados por cima de arco-íris, especialmente quando sua voz está sobreposta nas faixas de uma música umas sobre as outras. Em uma sequência de tweets agora-icônica de 2016, ficou determinado de ela de fato “Tem O Alcance.”

Para um exemplo de sua habilidade, considere o single muito amado mas de baixo desempenho “Into You.” É uma música de amor intensa que começa com uma letra que Lorde falou no twitter que era talvez a coisa mais perto do “pop perfeito” que ela havia já ouvido: “Eu estou tão apaixonada por você/ Eu mal consigo respirar.” Perto do som acabar, depois da ponte épica, o refrão repete algumas vezes com uma espiral de harmonias e improvisos.

“Esses momentos para mim são quando a música se completa,” Ariana diz. “Quando você consegue o refrão, você faz alguns improvisos e todas as harmonias do mundo. Minhas coisas favoritas são produção vocal, harmonias e arranjo vocal. É quando o som cria suas próprias pernas”

Para mim, como um homem gay — e eu estou um pouco envergonhado por falar isso — esses momentos transcendentais na música e o modo como eu reajo a eles me lembram que ser gay não é uma escolha e que eu nasci desse jeito. Embora nossa fã base queer seja algo dado para a maioria das estrelas do pop, Ariana parece especialmente merecida. “Eu cresci cantando em bares gays,” ela diz. “Eu cresci com um irmão gay, que é meu melhor amigo. Garotos me ensinaram como me maquiar. Esse é um amor autêntico.” O segundo verso de “No Tears Left To Cry”, ela me conta, é sobre “esses doces fofos” na sua turnê e ao encontrá-la que tenham se assumido para ela.

É assim que ela disse que as conversas são:

Fã: Oi mãe.

Ariana: Oi bebê.

Fã: Eu sou gay.

Ariana: Arrasou! Sério?

Fã: Essa foi a primeira vez que eu contei isso pra alguém.

Ariana: O QUE!? DE JEITO NENHUM PORRA, VENHA AQUI!

São momentos como esse que a deixam animada para compartilhar este álbum e voltar a fazer turnês, apesar de tudo que ela passou no ano passado. Se a Doutrina de Ariana é cruzar o mundo espalhando amor e positividade na cara do ódio, ela está fazendo música que combinam com a ambição dessa meta de vida. “Eu nunca estive tão vulnerável para eu mesma,” ela diz. “Eu sinto como se estivesse me formando (como pessoa) quase. Eu sinto que tipo, por um bom tempo as músicas eram boas, mas não eram músicas que me fazem sentir algo como essas músicas fazem.”
Chegando ao fim do nosso momento juntos, ela me conta uma estória que resume o modo como sua vida tem sido ultimamente. Ela acontece em um dia nublado, chuvoso — seu tipo favorito. “Eu estava dirigindo do trabalho para casa e eu apenas senti uma paz impressionante sobre mim,” ela relembra. “Eu apenas comecei a chorar — lágrimas de gratidão por conta da perspectiva, do crescimento, de se abrir e encontrar seu chão novamente por conta da música, amigos, e amor. Eu estava impressionada em como se torna simples se você deixa que assim seja.”


02.05.18



E eles atacaram novamente! Os melhores amigos Ariana Grande e Jimmy Fallon nos presentearam com mais um programa na TV. O Tonight Show, que foi ao ar na noite de ontem (01), desta vez contou com participação integral da cantora e pudêmos vê-la atuar, performar e conceder entrevista.

Durante o bate-papo, Ariana Grande confirmou tudo sobre o seu quarto disco de estúdio, intitulado “Sweetener” (confira AQUI). Também saíram informações sobre a performance da cantora na próxima edição do Billboard Music Awards (clique AQUI).

Abaixo você pode conferir todas as fotos e vídeos da participação de Ariana Grande no Tonight Show:

FOTOS: Show

FOTOS: Bastidores

VÍDEO e CAPTURAS: Entrevista

VÍDEO: Performance 

VÍDEO e CAPTURAS: Musical Genre Challenge

VÍDEO e CAPTURAS: Surprising fans


25.04.18



Foi anunciado na tarde desta quarta-feira, 25, uma nova participação de Ariana Grande no programa The Tonight Show Starring Jimmy Fallon, o late-night talk show americano apresentado por Jimmy Fallon na rede NBC. No programa, que irá ser transmitido na próxima terça-feira (1 de maio), a cantora deverá responder uma série de perguntas feitas pelo apresentador e entrar em algumas gincanas proporcionadas pelo mesmo, além claro de apresentar o seu mais novo single “No Tears Left To Cry”, como forma de divulgação.

Para promover a participação da cantora em seu programa, Jimmy Fallon realizou uma paródia de  “No Tears Left To Cry”, confira:

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30.09.17



Depois de mais de seis meses viajando, Ariana Grande encerrou a “Dangerous Woman Tour” em Hong Kong. Antes de seu último show, a cantora anunciou ela mesma como a nova embaixadora da gigante empresa de equipamentos esportivos, Reebook. Para celebrar essa parceria, a Billboard acompanhou de perto as últimas 48 horas da cantora em turnê.

Terça-feira, 19 de setembro.

20:00 – Chegada em Hong Kong.
Nós corremos para voar até a cidade na manhã da terça-feira, mas Grande precisava dar um tempo para o seu corpo recuperar; ela tinha acabado de realizar um show alguns dias atrás em Taiwan.
“Eu só cheguei aqui na noite passada, mas se tudo der certo esta noite eu irei dar uma volta por aí e explorar,” Grande nos contou quando a vimos na manhã seguinte. “Eu sempre quis ir pra Hong Kong. Está na minha lista há um longo tempo, então estou feliz de finalizar minha turnê aqui. Espero que eu consiga fazer o máximo de coisas que eu puder aqui antes de irmos amanhã. Eu não gostaria de ir, eu realmente não gostaria.”

Quarta-feira, 20 de setembro.

09:00 – Exercícios pela manhã.
Para conseguir umas das vistas únicas de Hong Kong, nós nos hospedamos no East Hotel, que possui brilhantes janelas que vão do chão até o teto em todo quarto. Ele também está próximo do centro da cidade, longe de ruas movimentadas, tornando-o um ótimo lugar para exercitar-se.

Para nossa sorte, o treinador de Grande, Harley Pasternak—que também já trabalhou com artistas como Lady Gaga, Alicia Keys e Kanye West—viaja com ela de tempos em tempos e fomos sortudos o bastante para conseguir uma sessão com ele. Nós começamos com uma caminhada para o espaçoso parque Quarry Bay, que fica por volta de 15 minutos do hotel, e uma vez lá, ele aumentou a intensidade nos fazendo correr para cima e para baixo do campo.

Veja, a prioridade de Pasternak não é de esgotar o corpo de qualquer um dos seus clientes, a única coisa que ele deseja é de que o ritmo seja mantido. “Não existem movimentos que podem compensar a falta de algumas etapas,” ele explicou para a Billboard. “Nós fomos tão longe com a nossa abordagem para malhar com a venda de DVDS insanos e malucos, mas você não precisa de nada disso. Eu treino 50 dos melhores corpos do mundo e ninguém faz isso. Ninguém precisa disto.”

Ariana adicionou, “Por um longo período, eu estava, isso é mais efetivo que realizar uma série de exercícios totalmente conhecidos? E realmente é. Eu me sinto melhor quando estou me movimentando bastante. Eu poderia fazer uma rotina de exercícios pesados por aí e sentar em qualquer lugar o dia inteiro e não me sentiria tão bem como quando estou em constante movimento”.

14:00 – É hora de dançar!
Após o almoços, nos reagrupamos para a melhor sessão de dança existente com Grande (sim, você leu isso mesmo) e os geniosos gêmeos por trás da coreografia da turnê, os irmãos Brian e Scott Nicholson. Se você acha que eles pegaram leve conosco, pense novamente. Nós aprendemos a introdução para o ato de abertura do show, “Be Alright”, e apesar de não ser fácil, a energia positiva do trio tornou fácil para nos deixar soltos e apenas nos divertimos.

Nós estávamos assim, nós vamos ensinar para eles algo do tipo difícil para ver o que acontece,” Brian admite. “Isso é literalmente um dia na nossa turnê. Nós realmente queremos mostrar para vocês o que passamos. Nós fomos lá e todos conseguiram. Acima de tudo, foi sobre estar livre e ter um bom tempo. É isso que Scott, Ariana e eu queremos passar.”

Quinta-feira, 21 de setembro.

11:00 – O que quer que flutue o seu navio.
E lá vem a visita de turistas. Além dos arranha-céus, da movimentação e da grande atividade da cidade estão as montanhas e a enseada que a cercam. Para obter o visual mais próximo possível, nós fomos a uma tradicional navio de vendas chinês chamado de “junk boat” que nos levou uma ilha no outro lado de onde estávamos. As ondas estavam difíceis, mas assim que você olha para o horizonte atrás e a sua frente, as vistas não podem ser um oportunidade perdida para qualquer turista, especialmente se você não estiver com o tempo contado como nós.

14:00 – Almoço na Ilha Lamma.
Apesar de Grande estar ocupada preparando seu último show, seu treinador Pasternak confirmou que ela gostaria de ter experimentado a comida de frutos do mar local. “Do nada, eu irei perguntá-la o que ela comeu naquele dia,” ele disse. “Ela vai estar tipo, ‘Estou entediada, eu preciso de mais opções de janta.’ Então eu irei dizer para ela me ligar para falar sobre isso. Quando ela está em um novo país, eu faço uma lista de todas as comidas locais e restaurantes que eu quero que ela experimente. Ela é tão boa em retirar todas as opções da lista porque ela é realmente aberta para experimentar diferentes tipos de comida no mundo.”

19:00 – Prepare as suas orelhas de coelho pretas!
O momento que todos estávamos esperando. Por último, mas não menos importante, Grande nos presentou com ingressos VIP para a última etapa de sua turnê. Não há nada como ver um artista dizer adeus para a vida na estrada; foi incrível fazer parte de algo tão especial.

“Eu não queria nem voltar para casa e relaxar,” Grande comentou. “Ao mesmo tempo, passamos por muitas coisas emocionalmente. Tem sido algo desafiador para todos envolvidos. Então seria ótimo abraçar aqueles que eu amo um pouco, ficar em casa por um tempinho. Mas me conhecendo, eu estarei no estúdio porque eu amo isso, e eu quero criar. Eu já comecei um álbum há um ano, um pouco mais de um ano atrás, mas eu quero continuar criando e ainda não está finalizado. Então eu irei ter meu tempo de descanso, estarei restaurada e pronta pra próxima assim que possível.”

FOTOS: Evento da Reebok em Hong Kong

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29.09.17



Em entrevista para o tradicional jornal norte-americano The Wall Street Journal, o empresário de Ariana Grande, Scooter Braun, comentou tudo sobre o período (até então oculto) em que Ariana Grande o demitiu e sobre a organização do evento One Love Manchester, após a tragédia que abalou a cantora. Confira logo abaixo a tradução dos trechos em que Ariana é citada:

Este final do mês de maio está levemente mais atarefado porque ele está se preparando para viajar de férias para a Espanha e para a Itália com sua mulher que é casado há três anos, Yael Bran, a co-fundadora e CEO da organização de caridade Fuck Cancer, e seus dois filhos, Jagger, de 2 anos, e Levi, de apenas 11 meses. Ele tem uma série de videoconferências, verificações em cada departamento e uma reunião de orçamento com a Universal Music Group (distribuidora da Schoolboy Records). Enquanto ele dá uma volta comigo, ele me diz que tem algumas ligações para fazer antes. Algumas delas são entrar em contato com Bieber, que estava em em turnê na europa e preparando-se para uma etapa na África do Sul; e com Grande, ou alguém da equipe da Dangerous Woman Tour, para ter certeza de que tudo está em ordem. A estrela formada na Nickelodeon que tornou-se uma sirene do pop tem uma apresentação em Manchester, na Inglaterra, que está para começar.

Trinta dias depois, o mundo descobriu a verdadeira voz de Braun que falha enquanto emociona-se. Juntamente com os 250 milhões de espectadores ao redor do mundo assistindo ao concerto One Love Manchester, Braun sobe nos palcos e fala com uma multidão de 55 mil pessoas no Old Traffor Cricket Ground, em Manchester. Há menos de duas semanas, um homem-bomba tinha matado 22 pessoas e ferido mais do que 250 — em sua maioria crianças e adolescentes — fora do concerto de Ariana na Manchester Arena.

Apesar de ter tido a ideia de um concerto beneficente logo após o ataque, Braun sabia que qualquer discussão sobre isso deveria esperar um tempo. “Ariana, com direitos claro, estava pertubada,” ele diz. “Ela estava tipo, ‘Eu acho que nunca mais poderei cantar essas músicas novamente.'” Braun estava em discussões sobre cancelar o resto da turnê, que estava marcada para ocorrer até setembro, quando recebeu uma mensagem de Grande pedindo-o para ligar para ela. Qaundo Braun entrou em contato com ela, ele relembra, “Ela disse, ‘Eu estive pensando bastante, e se não fizemos nada, todo mundo terá morrido em vão. Então qual é a sua ideia?'”.

Braun apresentou sua versão: “Eu gostaria de fazer um show, convidar as famílias e fazer uma campanha, primeiramente e mais importante, agora — não daqui alguns meses.” Sua ideia era organizar o show rapidamente. Até mesmo Grande questionou se não seria insensível fazer algo tão rápido. “Todo mundo disse, ‘É muito cedo. Ainda terá gente sendo enterrada,'” Braun relembra. “Minha pergunta então era: Quando? Daqui a quatro meses? Quatro anos? Seriamente, se não for agora, quando?”.

“Oh, eu tenho um ego,” Braun diz. “Você não chega nesse ponto sem ter um ego. Quando meus clientes agem de uma certa maneira, eu fico bravo e eles ficam bravos comigo. Mas com a Ariana, eu estava furioso, sabe?”

Depois de três anos de sucesso, Grande abruptamente demitiu Braun em fevereiro de 2016. “Aquilo foi sujo, mas não era a Ariana”, ele diz, referindo-se à algumas pessoas à sua volta.

O movimento surpreendeu a mãe de Ariana, Joan. “Eu acho que Ariana e Scooter estavam tomando dores cada vez maiores por causa da juventude de tudo,” ela diz. “Sempre esteve-se entendido que eles iriam voltar. O universo geralmente encarrega disso sozinho.”

Por volta de setembro do mesmo ano, Grande assinou contrato novamente com Braun para uma nova orientação na Dangerous Woman Tour. “Está melhor do que antes,” Braun diz, falando em seu escritório antes do ataque de Manchester. “Outro dia nós começamos a ter uma discussão. Eu disse, ‘Olha, se você quer seguir este caminho novamente, nós podemos.” E ela disse, ‘Não, você está certo — a gente já sabe o que acontece se nos tratarmos que nem porcaria.'”

Se ainda havia alguma pequena tensão, Manchester (evento que Grande não falou sobre publicamente) deixou isso de lado. “Manchester não mudou minha opinião sobre Scooter. Apenas a confirmou,” diz Joan. “Eu achei que suas palavras no palco foram incríveis. Pessoas às vezes não igualam sucesso com emoção, e isso pode ser um erro — basta olhar para Scooter.

Clique AQUI para acessar a reportagem completa, em inglês.